terça-feira, 12 de novembro de 2013

O INCRÍVEL MECANISMO DA CRIAÇÃO DE DINHEIRO E DO ESTABELECIMENTO DO CONTROLE OLIGÁRQUICO MUNDIAL


A respeito do assunto, me vem à lembrança as palavras de um conhecido meu, que depois de ganhar muito dinheiro como incorporador, para depois virar financista e banqueiro, comentou:

“É inacreditável como é fácil criar dinheiro.
Basta anotar um crédito na conta de alguém que ele sai assinando cheques.  
E o melhor é que ele me paga de volta esse dinheiro, que na verdade não dei.
Se  tivesse sabido antes, eu  não teria perdido tempo tentando ganhar dinheiro de outra maneira”.

O que realmente impressiona é que, sendo assunto tão importante,  tão pouca gente conheça o espantoso processo de criação de dinheiro nos sistemas subordinados a Bancos Centrais, a começar pelo Dólar, a moeda aceita como valor de reserva MUNDIAL.

De modo simplificado, funciona assim:    

1) O Governo decide que precisa de ter em caixa naquele momento uma certa quantidade de recursos financeiros, digamos  $$ 10 bilhões (Dólares, Reais, seja qual for a moeda).   
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      2) Com esse objetivo, o Tesouro Nacional imprime uma quantidade de papéis lindamente impressos (Letras do Tesouro), no valor nominal de 10 bilhões, e os entrega ao Banco Central, que em troca deposita nas contas do Governo, no Sistema Nacional de Bancos Privados, $$ 10 bilhões. 
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      3) O Banco Central pode fazer esse depósito em papel moeda -- impresso para esse fim -- ou meramente realizar o “depósito”  por via eletrônica. Nesse ato o Governo passa a dever ao Banco Central não só o total “depositado”, mas também o Juro anual prometido pelas Letras do Tesouro adquiridas pelo Banco Central.
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      4) A legislação que rege o chamado “sistema de reserva fracionada” autoriza a qualquer banco emprestar ao público uma elevada fração (normalmente 90%) dos depósitos recebidos, deixando em caixa uma reserva apenas suficiente para atender aos resgates correntes.
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      5) Sendo assim, com esse deposito de $$ 10 bilhões  os bancos estão autorizados a emprestar, em conjunto, $$ 9 bilhões, e efetivamente o fazem. Esses empréstimos são realizados simplesmente fazendo a correspondente entrada de  “credito” na conta de cada cliente recebedor do empréstimo, totalizado os $$ 9 bilhões .
     
      6) Ocorre que esses 9 bilhões “depositados ” em moeda meramente escritural são considerados novos depósitos, que outra vez dão aos bancos direito de emprestar 90% desse valor – ou seja $$ 8,1 bilhões.
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      7) Desse momento em diante ocorre uma coisa que se assemelha ao “milagre da multiplicação dos pães e peixes”: em operações sucessivas, os primeiros $9 bilhões vão se multiplicando em dinheiro emprestado ao publico em “moeda escritural” -- um nome impressionante aplicado ao dinheiro que os bancos emprestam sem ter --  simplesmente   “criado do ar ” .
     
      8) Dessa forma,  o total emprestado será: $$ 9 + (90% x 9) + (90% x 90%) x 9 + (90% x 90% x 90%) x 9 + (90% x 90% x 90% x 90%) x 9 + .....   Os que fizeram o ginásio no tempo em que se aprendia alguma coisa já perceberam que trata-se da soma dos termos de uma progressão geométrica decrescente, infinita, cujo termo inicial é a1= 9 e a razão  q = 0,9.        A fórmula que fornece o resultado é    S = a1 / (1- q) = 9 / (1-0,9) = 9 / 0,1 = 90;      $$ 90 bilhões !!
    
      9) Pouco importa como esses recursos são movimentados: os saques feitos em cheque ou moeda corrente voltam sempre como depósitos, no mesmo banco ou em outro do Sistema Bancário.
      
     10) Para todos os efeitos cheques funcionam como dinheiro.  É por essa razão que em economia os meios de pagamentos restritos (M1) são definidos como papel moeda em poder do público + depósitos à vista (que são os valores lançados à crédito nas contas dos clientes).
        
          11) Em suma, cada $$ 1 bilhão de aumento da base monetária gera $$ 10 bilhões de empréstimos ( = dinheiro = dívida ) mais os juros correspondentes, devidos aos bancos por emprestarem dinheiro “ criado do ar”.
     
      12) Para essa conta fechar é preciso que ao final do ciclo os tomadores de empréstimo tenham conseguido ampliar o espaça econômico criando bens e serviços adicionais, que sirvam de contrapartida a esse novo dinheiro posto em circulação, MAIS os juros.

Note-se que nesse sistema fechado não foi criado dinheiro para o pagamento dos juros, de modo que ao final do ciclo, a base monetária terá que ser ampliada de novo, no mínimo em quantidade suficiente para acomodar os juros.

É isso que obriga ao crescimento exponencial permanente  da economia, sob a pena do colapso total de um sistema que é indistinguível de uma “ pirâmide  “ financeira, que desaba quando se torna impossível conseguir participantes capazes de manter a ciranda girando com velocidade suficiente.

Resumindo:  um sistema econômico-financeiro onde cada centavo dele é criado por  dívida, tem duas premissas fundamentais:

A) Está sujeito à instabilidade e ao colapso no momento em que o crescimento de amanhã for insuficiente para pagar o endividamento de hoje, como a presente crise energética está fazendo acontecer.

B) Não teria como deixar de criar, como criou, o todo poderoso núcleo de poder mundial suprapartidário e supranacional de banqueiros, que manipula as estruturas políticas a seu bel prazer e transforma o planeta no tabuleiro de jogo do  oligopólio financeiro-industrial-militar.

Aconteça o que acontecer, parece muito difícil que a sólida estrutura do poder oligárquico mundial possa ser abalada, mas os sinais de instabilidade estão arregimentando ativistas que acreditam na possibilidade de reagir contra o sistema.

Nos Estados Unidos, principalmente no Centro-oeste, cerca de 3 milhões “preppers”, abrangendo com suas famílias mais de 10 milhões de pessoas, preparam-se para o confronto, dispostos a defender o direito que a Constituição lhes concede de possuir armas como último instrumento de defesa contra a tirania.

É de um desses grupos a iniciativa de difundir pela internet a animação mostrada a seguir, em que a história da criação do oligopólio é apresentada de um modo didático e bem convincente, a partir do avô dos bancos centrais  (Bank of England - 1679) e da bem sucedida armação de Rothschild, Rockefeller, J.P.Morgan  e outros banqueiros, para implantar o Federal Reserve nos Estados Unidos, em 1913.






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O QUE FALTOU NO QUIOSQUE...

Porque ontem não dei quorum aos debates do seleto grupo de macróbios que se reúne aos domingos no Quiosque do Baixinho, frente à Almirante Pereira Guimarães, no Leblon, Fernando Albuquerque Lima passou pela minha porta a caminho do Bracarense para deixar uma página da seção “What’s News” do Wall Street Journal, com o artigo “ Os sonhadores previram o sucesso do gás de xisto nos EUA”.

Pois é, Fernando, li o artigo que você me indicou. 

O problema é que as News do What's News, como no resto da imprensa, raramente são "News" mas sim versões que interessam a algum grupo de poder, no caso os que estão ganhando milhões com o fracking -- menos com a extração e venda do óleo e do gás, que na maioria das áreas é econômica e energeticamente pouco rentável -- mas sim pelos continuados saltos no valor das ações, embalados por artigos como esse que você me deixou.

Do mesmo modo que no pré-sal, há um grande estardalhaço sobre a exploração dessas reservas, apontadas como capazes de tornar os Estados Unidos independentes de importação e até  exportador de petróleo --  mesmo sem haver ainda dados reais sobre a viabilidade a longo prazo dessa tecnologia, levando em conta os elevados danos ecológicos e a forte decadência da produção, que obriga a abrir milhares poços, e logo depois novos milhares, nas proximidades dos primeiros.

Se vosmecê ainda não viu, dê uma olhada no meu ultimo texto publicado no blog.
 
O fracking é problemático não apenas pelo insuficiente  E.R.O.E.I. (Energy Return On Energy Invested) mas, mais ainda, pelo absurdo custo da degradação ambiental que as petrolíferas se esforçam por desmistificar, mas que dessa vez é um caso sério e não porra-loquice de verdes, como você poderá ver no YouTube com os links seguintes:

Primeiro uma pequena amostra, existem dezenas semelhantes, com fogo em torneiras, poços de água explodindo, lagos, rios e valetas pegando fogo...  para não falar dos produtos químicos lançados no ar e infiltrados nas fontes que antes eram potáveis.
http://www.youtube.com/watch?v=U01EK76Sy4A

Em seguida, um  trabalho de difusão muito bem feito (excelentes imagens explicativas
à melhor ver em tela cheia) patrocinado pelo conjunto de associações que está tentando proibir o fracking na Europa. 


http://www.youtube.com/watch?v=uokmsSi7LTY
 
O seguinte é curtinho, lembrando que a irreversível estabilização (depois vem a queda) da produção de óleo barato, convencional, ocorreu mesmo em 2005, e que, dizer que isso pode ser compensado pela extração de óleo por métodos "heróicos" não passa de jogo de cena, um exercício de PR (public relations) que está tendo sucesso.

Depois, para relaxar, veja esse “rap“ bem balançante, que seria muito engraçado se não estivesse tratando de coisa séria,
 “ My water's on fire  tonight" :    http://www.youtube.com/watch?v=oHQu3SeUwUI

Por fim,"THE OIL JOURNEY", uma recapitulação sóbria do momento presente, feita pelo pessoal do Post Carbon Institute. Uma apresentação profunda, que aponta o caminho que resta.
Não perca o que vem depois dos 15:40 minutos:


Acho que deu p'ra mostrar que o caso é bem complicado.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013



O Cel. Jorge Ribeiro, meu colega de turma desde o CM, profissional especializado nos meandros da Informação e da Contra-informação, fez três perguntas sobre o pré-sal.
Prezado Mauro:  
Pouco depois de ler a notícia de que o consórcio formado pelas empresas Petrobras, Shell, CNPC, CNOOC e Total venceram o leilão do Campo de Libra e ouvir  no meio da  novela – o discurso da presidANTA, informando que os TRILHÕES obtidos no pré-sal contribuirão para a redenção da Educação e da Saúde no Brasil nos próximos 35 anos, tomei conhecimento do seu comentário, versando  sobre como as coisas estão, dez anos depois. Juntando seu comentário com o estardalhaço eleitoreiro do leilão, a baderna em âmbito nacional de sindicalistas, União Nacional de Estudantes, anarquistas, nacionais socialistas, idiotas úteis e trotskistas de diversas cepas, assomou-me um dúvida atroz que somente um “expert” em assuntos petrolíferos - como Vossa Alteza - é capaz de responder:
1) O consórcio tem tecnologia para chegar no pré-sal e extrair  de lá o “ouro negro”, de forma financeiramente compensatória? 
2) Caso positivo,  quanto tempo levaríamos para concretizar o projeto? 
3) Ou tudo isso não passa de uma enorme pantomima? 

Respondidas do modo abaixo.
Por partes:
1) Tecnologia para chegar no pré-sal eles terão, com certeza.
Todas as soluções de problemas e aperfeiçoamentos técnicos avançados pela Petrobrás e seus parceiros há muito que são conhecidos da National Security Agency  que -- como você sabe melhor do que eu --  há mais de 30 anos usa o complexo "Echelon" de espionagem eletrônica  para escutar, selecionar automaticamente e gravar o que interessa de toda e qualquer ligação telefônica, fax, e-mail, o que for, que circule por micro-ondas, em links terrestres ou de satélites, em qualquer lugar do planeta.   

Não pode haver dúvida de que qualquer novidade tecnológica importante para a "National Security" seja em seguida repassada para  empresas deles que possam fazer bom uso.  E os chineses tem o costume de roubar dos americanos tudo o que precisam.  Sendo assim, o mais provável é que hoje eles estejam até melhor preparados que a Petrobrás para o desafio da perfuração. 

2) Porém, extrair o óleo de forma economicamente compensatória  já é coisa mais complicada --  para todos:

Furar poços a partir de plataformas flutuantes separadas do fundo do mar cerca de 4 km  -- e depois prosseguir furando através de mais 2 km de sal quente (80/100 graus), mole, e muito mais  instável do que as rochas que estão acima e abaixo dele,  é um empreendimento arriscado por definição.  A operação posterior, pior ainda.

a) -  Os desenhos mostrando as plataformas, a tubulação e o fundo do mar são enganadores, porque se fossem feitos na escala correta a plataforma ficaria  muito pequena e a tubulação praticamente invisível.  Veja a figura anexa, onde ainda falta a perfuração posterior de sedimento, de rocha, de muito sal --  e de rocha de novo.             

  

Na verdade ninguém sabe como vai se comportar ao longo do tempo esse fio de cabelo, submetido a tanta instabilidade. 
Nem os custos de manutenção e recuperação dos desastres --  quando  for possível recuperar...  

b) Além disso, a corrosão dos tubos e válvulas pelo sal (por fora) e pelos ácidos sulfúricos e carbônicos da alta concentração de CO2 e enxofre (por dentro) obriga ao uso de ligas especiais, a serem também sujeitas ao teste do tempo.  

c) Existe também o gargalo logístico causado pelos 300 km de distância da costa, que vai exigir a implantação de uma rede de bases intermediárias onde se armazenem diesel, suprimentos e se transbordem pessoas, transportadas por distancias que estão no limite da autonomia da maioria dos helicópteros.     

d) Como o CO2 --  acusado de causador do aquecimento do planeta -- está presente em alta concentração nos hidrocarbonetos do pré sal, a Petrobrás declarou que adotará a solução politicamente correta de reinjetá-lo no reservatório subterrâneo, depois da separação, uma proposta complicada e encarecedora da extração.

e) Outras incógnitas importantes são a taxa média de decadência da produção e a quantidade real de óleo recuperável existente .
 O fato é que, no que diz respeito à economicidade da exploração do petróleo, o quesito fundamental tem a sigla E.R.O.E.I. (Energy Return On Energy Invested),  que era da ordem de 100 unidades de energia obtida para cada 1 investida, nos primórdios da exploração, foi caindo ao longo dos anos, e hoje é ainda próximo a 10:1 nos poços filét-mignon da Arabia Saudita -- apesar da presente necessidade de injetar 4 a 5 milhões de barris de água do mar para cada 10 milhões de barris de óleo tirado. Quando o  E.R.O.E.I. chega a 1, desaparece a  vantagem de extrair óleo para fins energéticos.    

A causa fundamental da crise da produção de petróleo é que os campos que vem sendo explorados há muitas décadas produzem com dificuldade crescente e as novas jazidas que vão sendo encontradas são de óleo e gás cada vez mais difícil de ser extraído, com o E.R.O.E.I. se aproximando perigosamente de 1.   

As esperanças de compensar a queda da produção com a exploração das jazidas de óleo "não convencional" (óleo polar, areias betuminosas, shale/tight oil, óleo de águas profundas) tem se dirigido principalmente: 

(I) ao pré-sal do Brasil (em primeiro lugar) e da Angola;
(II) aos depósitos de tight oil e de  kerogen  (que pode ser transformado artificialmente em petróleo) que   existem  em gigantescas formações (Bakken, Eagle Ford e outras) de shale  (que é uma rocha sedimentar tipo ardósia)  no meio Oeste americano, na Austrália e outras partes do mundo. 

O método  desenvolvido para a extração do tight oil e do kerogen, conhecido como fracking,
consiste em fazer poços horizontais onde se injetam produtos químicos sob pressão que fraturam a rocha e permitem levar o líquido à superfície para ser processado. 

Do mesmo modo que com o pré-sal, há um grande estardalhaço nacionalístico (e muita especulação na bolsa) sobre a exploração dessas reservas, apontadas como capazes de tornar os Estados Unidos e Austrália independentes de importação e mesmo  importantes exportadores de petróleo, mesmo sem haver ainda dados reais sobre a viabilidade a longo prazo da tecnologia no que diz respeito aos custos finais de produção, levando-se em conta os elevados danos ecológicos e a forte decadência da produção, que obriga a abrir novos poços nas proximidades dos pioneiros.     


3) Pantomima ?  Nos dois casos podemos dizer que sim, porque lá,  como aqui, existem fontes de energia importantes que podem gerar, ao longo do tempo, grandes recursos, mas não há seriedade nas afirmações retumbantes de que, aqui, vão trazer para o presente o "País do Futuro"  e, lá fora, transformar os Estados Unidos e a Austrália em novas Arabias Sauditas, como estão divulgando.

Por exemplo, quanto a afirmação de que o fracking brevemente tornará os Estados Unidos independentes da importação de petróleo, a projeção da produção americana  feita pela EIA (Energy Information Administration, do Depto de Energia), que já mostrei e repito abaixo, mostra que mesmo com uma grande injeção de shale oil/tight oil, a produção chega a  um pico dentro de 6 anos, com o resultado de que em 2040 a produção doméstica americana será pouco mais de 30% do suprimento de óleo dos USA.  

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domingo, 20 de outubro de 2013

Como estão as coisas, quase dez anos depois...



Em 2014 terão já se escoado 10 anos desde que se compilaram os dados que deram origem ao livro e a este blog.

Revendo o capítulo sobre a repercussão da crise energética no sistema financeiro internacional, pode-se ler:

“... um castelo de cartas erigido ao longo de 60 anos, que ruirá em meio a uma explosão inflacionária no momento em que haja a menor incerteza de que os valores que representam poderão ser resgatados”....

  “...não é necessário que a extração anual do petróleo decline, basta que cresça pouco ou se estabilize por alguns anos, digamos, no entorno dos 90 milhões de barris por dia, para sinalizar que a economia baseada no petróleo entrou na fase final, com devastadoras implicações para a suposição de crescimento continuo -- que sustenta um sistema financeiro baseado na confiança de que a expansão de amanhã proporcionará os resultados necessários ao pagamento do endividamento de hoje.”

Ora, nos últimos 10 anos a produção de petróleo cru teve um crescimento pífio de apenas 0,65% a.a.,  e a produção global incluindo  os  “demais líquidos” – gás liquefeito, combustíveis sintéticos, etanol, biodiesel, etc. – atingiu finalmente os 90 milhões de barris em maio de 2013,  graças ao aumento da produção americana pela tecnologia de “fracking”.

Em 2004 as tabelas da EIA (Energy Information Administration) dos Estados Unidos projetavam um aumento continuado de produção da ordem de 3% ao ano, isto é,  2,5 milhões de barris/dia a mais, cada ano, para manter o crescimento normal da economia. 

Nesse ritmo, em junho de 2013 a produção global diária de petróleo cru deveria ter chegado sozinha aos 95 milhões de barris,  quase 20 milhões a mais por dia do que a atual produção de 76 milhões.

Do modo como se deram as coisas, o déficit total de  “líquidos energéticos” – com relação ao “necessário“ esperado – fica na ordem dos 16 milhões de barris por dia, que hoje impede a injeção na economia mundial de uma quantidade de capital real (ouro negro energético) equivalente a 584 bilhões de dólares por ano, computados a US$ 100 por barril, totalizando algo da ordem dos 2,8 trilhões de dólares desde 2004.  

Não por outra razão, com esse quadro instalado a partir de 2005 e os preços do petróleo mantidos nas alturas, a  crise financeira internacional estourou três anos depois no elo mais fraco da corrente -- os papéis imobiliários e produtos "derivativos".
Na tentativa de preservar o sistema e manter as economias em expansão os Bancos Centrais mundiais desde então vem emitindo moeda através de mecanismos diversos, principalmente o Federal Reserve – o Banco Central americano responsável pela moeda de reserva internacional – que se encontra na quarta etapa do mecanismo de socorro chamado “Quantitative Easing”.
O Fed (Federal Reserve), que imediatamente antes da crise  apresentava em seus balanços menos que US$ 800 bilhões em Letras do Tesouro, começou comprando dos bancos US$ 600 bilhões de ações e outros papeis  --  em novembro de 2008.   Em março de 2009 já tinha adquirido US$ 1,75 trilhão em débitos, letras do tesouro e outros papéis, passando dos US$ 2 trilhões em 2010.
 Uma segunda rodada de “Quantitative Easing” (QE2) iniciou-se em março de 2011 (mais US$ 600 bilhões) e em setembro de 2012 foi anunciada uma terceira e ilimitada rodada (QE3), um programa de compras de US$ 40 bilhões por mês, aumentada três meses depois para US$ 85 bilhões.  Em junho do corrente ano foi anunciado que em setembro as compras mensais cairiam para US$ 65 bilhões  e que o programa terminaria gradualmente em 2014.
Com a queda  do mercado de ações que seguiu-se à declaração, em 18 de setembro o Fed  decidiu manter o programa de compras, sem prazo de término definido.
Ocorre que todas essas aquisições são feitas às custas do Tesouro, e implicam num agravamento do endividamento do Governo Federal que já é, interna e externamente, insustentável, com uma carga de obrigações que vai do financiamento dos programas de governo à cobertura da balança comercial deficitária, e à sustentação de uma gigantesca máquina de guerra espalhada por todos os continentes.
Como o governo americano gasta muito mais do que arrecada, para funcionar ele necessita aumentar continuamente seu endividamento interno e externo através de emissão de Letras do Tesouro e outros mecanismos financeiros, o que implica na necessidade periódica de obter do Congresso a elevação do teto de endividamento autorizado.


A falta de aprovação de um orçamento federal pelo Congresso e a aproximação da data limite para a elevação desse teto – passada a qual não haveriam recursos disponíveis nem para o pagamento das obrigações internacionais – levaram o governo fechar agencias estatais e chegar à beira de uma inimaginável situação, evitada no dia 17 de outubro horas antes do fim do prazo, por um acordo que empurrou o problema para o início do próximo ano.
Pode-se ter a certeza de que essa crise fui um daqueles "Beijos da Morte",  aceleradores da história.


Brezhniev / Honecker, 1979:  O Beijo da Morte


Durante meses o mundo acompanhou ao vivo o espetáculo patético de paralisia política que espunha uma realidade que era já muito clara, mas da qual se temia falar,  um processo inelutável de bancarrota que culminará  fatalmente com a mudança do padrão monetário para um Dólar-novo – trocado pelo velho a uma taxa arbitrada pelo governo americano – e com a reconstrução total do sistema financeiro internacional.  
O impasse público teve o mérito de desatar línguas e fazer com que se comece a reconhecer que o ”rei está nu“, como ocorreu dia 2 de outubro com a inesperada declaração de um conceituado jornal inglês (Financial Times), de que o sistema financeiro baseado no Dolar tinha se tornado inerentemente instável.
No  próprio dia 17 de outubro a chinesa Dagong - Global Credit Rating, uma das poucas importantes agências avaliadoras de crédito sediadas fora da América, atribuiu aos  Estados Unidos uma classificação negativa.
Pena que as nossas autoridades financeiras não façam como as da China, que estão emprestando dólares às suas empresas para gastá-los no Brasil, e no resto do mundo, com a maior velocidade que possam fazer.   Além de estarem comprando ouro num ritmo constante de crescimento.

      China comprando Ouro
 Dados apenas de  Hong Kong
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terça-feira, 9 de julho de 2013

A "Revolução" do Fracking


A tecnologia de injetar produtos quimicos sob pressão ("fracking") para deslocar as camadas profundas de folhelhos betuminosos de modo a liberar gás e óleo difícil de tirar (shale gas/tight oil), é o último e desesperado recurso para continuar a obter energia fóssil cada vez mais cara -- em termos de quantidade de energia investida por barril de energia obtida.


Pior do que tudo é o desastre ecológico irrecuperável pela poluição dos aquíferos -- e a falta de água em grandes quantidades é o próxima gravíssima crise de escassez que vai afligir o planeta dos nossos netos. 

As grandes empresas de petróleo e gás estão conseguindo esconder isso atropelando as autoridades politicas e judiciais do interior americano com o uso de pressão politica e econômica nesse momento de crise mundial, mas o clamor contra o "fracking" vai  aumentando. Vejam o que está acontecendo em fazendas dos  
USA.

http://www.youtube.com/watch?v=VEQMA0zwMM4

Quanto à propalada revolução que permitiria extrair bilhões de barris de shale gas/tight oil,  catapultando os USA de volta a posição de exportador de energia, acredito que os gráficos abaixo (tirados de um recente  e muito equilibrado paper sobre o assunto) desmentem a propaganda otimista de Wall Steet melhor que 10.000 palavras.

O fato é que os campos velhos continuam no mundo todo a perder produção, compensada com grande dificuldade pela produção de óleo e gás "não convencional" --  produção crescentemente mais "cara" em termos de energia consumida para produzir energia.



Vejam a brutal desproporção entre o número de poços novos e o correspondente aumento de produção, tanto de óleo como de gás, nos USA.
                                                                        Clique em cima para ampliar

Desde 2005 quando foi publicado "O crepúsculo do Petróleo"  o número de poços novos cavados por ano nos USA foi multiplicado por 2,5 em troca de um pífio aumento percentual de produção.

A projeção de produção dos USA feita pela EIA (Energy Information Administration, do Depto de Energia) mostrada abaixo (e que considero otimista) mostra que mesmo com uma grande injeção de shale/tight oil a produção chega a  um pico dentro de 6 anos, com o resultado de que em 2040 a produção doméstica americana será pouco mais de 30% do suprimento de óleo dos USA. 
                                    


No mundo como um todo, a previsão da IEA (International Energy Agency, da OECD),  é a mostrada na figura abaixo e adiante explicada, direto na lingua de Shakespeare:

"The latest median forecast for world petroleum liquids production of the IEA (termed the “New Policies Scenario”) is illustrated in Figure 22, which projects a decline of nearly two-thirds for all fields producing in 2011.

This projection suggests that overall crude oil production will decline slightly over the period to 2035, even with the development of 39.4 mbd of new production capacity from discovered and undiscovered fields (the equivalent of four Saudi Arabias’ worth of new production).

The IEA, in fact, has indicated in its World Energy Outlook 2012 that conventional crude oil is now past peak production and, even with the development of new production equivalent to two-thirds of current  production, will decline slightly through 2035.