A tecnologia de injetar produtos quimicos sob pressão ("fracking")
para deslocar as camadas profundas de folhelhos betuminosos de modo a liberar
gás e óleo difícil de tirar (shale gas/tight oil), é o último e desesperado recurso para
continuar a obter energia fóssil cada vez mais cara -- em termos de quantidade de
energia investida por barril de energia obtida.
Pior do que tudo é o desastre ecológico irrecuperável pela poluição dos
aquíferos -- e a falta de água em grandes quantidades é o próxima gravíssima
crise de escassez que vai afligir o planeta dos nossos netos.
As grandes empresas de petróleo e gás estão conseguindo esconder isso atropelando as autoridades politicas e judiciais do interior americano com o uso de pressão politica e econômica nesse momento de crise mundial, mas o clamor contra o "fracking" vai aumentando. Vejam o que está acontecendo em fazendas dos USA.
http://www.youtube.com/watch?v=VEQMA0zwMM4
Quanto à propalada revolução que permitiria extrair bilhões de barris de shale gas/tight oil, catapultando os USA de volta a posição de exportador de energia, acredito que os gráficos abaixo (tirados de um recente e muito equilibrado paper sobre o assunto) desmentem a propaganda otimista de Wall Steet melhor que 10.000 palavras.
O fato é que os campos velhos continuam no mundo todo a perder produção, compensada com grande dificuldade pela produção de óleo e gás "não convencional" -- produção crescentemente mais "cara" em termos de energia consumida para produzir energia.
Vejam a brutal desproporção entre o número de poços novos e o correspondente
aumento de produção, tanto de óleo como de gás, nos USA.
A projeção de produção dos USA feita pela EIA (Energy Information Administration, do Depto de Energia) mostrada abaixo (e que considero otimista) mostra que mesmo com uma grande injeção de shale/tight oil a produção chega a um pico dentro de 6 anos, com o resultado de que em 2040 a produção doméstica americana será pouco mais de 30% do suprimento de óleo dos USA.

No mundo como um todo, a previsão da IEA (International Energy Agency, da OECD), é a mostrada na figura abaixo e adiante explicada, direto na lingua de Shakespeare:
"The latest median forecast for world petroleum liquids production of the
IEA (termed the “New Policies Scenario”) is illustrated in Figure 22, which
projects a decline of nearly two-thirds for all fields producing in 2011.
This projection suggests that overall crude oil production will decline slightly over the period to 2035, even with the development of 39.4 mbd of new production capacity from discovered and undiscovered fields (the equivalent of four Saudi Arabias’ worth of new production).
The IEA, in fact, has indicated in its World Energy Outlook 2012 that conventional crude oil is now past peak production and, even with the development of new production equivalent to two-thirds of current production, will decline slightly through 2035.
This projection suggests that overall crude oil production will decline slightly over the period to 2035, even with the development of 39.4 mbd of new production capacity from discovered and undiscovered fields (the equivalent of four Saudi Arabias’ worth of new production).
The IEA, in fact, has indicated in its World Energy Outlook 2012 that conventional crude oil is now past peak production and, even with the development of new production equivalent to two-thirds of current production, will decline slightly through 2035.